terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Quem está no céu    
Como harmonizar a doutrina de que os mortos dormem com o evento ocorrido no monte da transfiguração?
[“Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro e aos irmãos Tiago e João e os levou, em particular, a um alto monte. E foi transfigurado diante deles, o seu rosto resplandecia como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele” (Mateus 17:1-3)
Analisando o contexto do fato ocorrido e entendendo “como” Moisés e Elias puderam estar presentes neste evento, podemos ver que a doutrina do sono da alma é verdadeira e que este acontecimento não contradiz o ensino bíblico. Moisés e Elias foram enviados ali para animar a Jesus, pois Ele estava próximo ao em que iria morrer pelos pecadores. Isto aconteceu não porque eles tivessem morrido e ido para o céu, mas aconteceu porque eles tinham ido para o céu, vivos. Moisés fora ressuscitado e Elias não experimentara a morte. Ambos foram trasladados para o céu. Vejamos os textos bíblicos:
Ressurreição de Moisés
As Escrituras dizem que após a morte de Moisés, ninguém achou sua sepultura; no livro de Judas nos é esclarecido o porquê: Deus o ressuscitou para depois levá-lo ao céu. “Contudo, o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo e disputava a respeito do corpo de Moisés, não se atreveu a proferir juízo infamatório contra ele; pelo contrário, disse: O Senhor te repreenda!” (Judas 1:9).
Trasladação de Elias
“Havendo eles passado, Elias disse a Eliseu: Pede-me o que queres que eu te faça, antes que seja tomado de ti. Disse Eliseu: Peço-te que me toque por herança porção dobrada do teu espírito. Tornou-lhe Elias: Dura coisa pediste. Todavia, se me vires quando for tomado de ti, assim se te fará, porém, se não me vires, não se fará. Indo eles andando e falando, eis que um carro de fogo, com cavalos de fogo, os separou um do outro e Elias subiu ao céu num redemoinho. O que vendo Eliseu, clamou: Meu pai, meu pai, carros de Israel e seus cavaleiros! E nunca mais o viu e tomando as suas vestes, rasgou-as em duas partes” (2 Reis 2:9-12)
Elias foi levado para o céu “vivo” e não após a morte. 
Trasladação de Enoque
Enoque também não morreu para ir ao céu, mas foi “em vida”. A Bíblia diz que Deus “o tomou para si” (Gênesis 5:24). “Pela fé, Enoque foi trasladado para não ver a morte, não foi achado, porque Deus o trasladara. Pois, antes da sua trasladação, obteve testemunho de haver agradado a Deus” (Hebreus 11:5).
Podemos concluir que se Enoque, Moisés e Elias foram para o céu “com o corpo” e Moisés teve de ser ressuscitado, nós também iremos para o céu com nosso corpo (transformado – 1 Coríntios 15:51-53; Filipenses 3:20-21) e teremos de ser ressuscitados (caso estejamos mortos quando Jesus voltar) para ir para o paraíso. A Bíblia é clara sobre isto.
Estes homens estão no céu como representantes da raça humana, aqueles que irão para o céu com Jesus. Este episódio de modo nenhum contradiz a doutrina do sono da alma, pelo contrário, a reforça ainda mais, pois Enoque, Moisés e Elias foram “vivos” para o céu, com o corpo (que em seguida foi transformado) e não em ‘espírito’.
Para receber o dom da vida eterna é necessário crer em Jesus e aceitá-lo como único Salvador (João 3:16). O resultado será uma vida de fé e obediência (Gálatas 5:22).
ANIMAIS NO NOVO CÉU E NA NOVA TERRA
                                                                                                               por: Thiago Gonçalves
Gostaria de saber o que a Bíblia diz em relação aos animais no tocante à ressurreição, já que esta menciona que no dia do arrebatamento apenas as pessoas escolhidas serão atraídas por Jesus, e que na segunda ressurreição os ímpios serão destruídos. Os animais serão destruídos também e Deus criará outros?
Realmente a Bíblia não menciona a ressurreição dos animais. Podemos ler apenas citações sobre a ressurreição dos justos para a salvação e acerca da ressurreição dos ímpios para a perdição (João 5:28 e 29, Apocalipse 20:5 e 6). Conquanto as Escrituras não confirmem a existência de animais no Céu, afirmam que eles existirão na Nova Terra. Eis alguns textos que você poderá ler em sua Bíblia sobre o assunto (Isaías 11:6-9, Isaías 65:17 e 25).
Não temos como explicar plenamente como Deus trará os animais à existência na Nova Terra. O que encontramos na Bíblia é um Deus amoroso que se preocupa com todos os animaizinhos, por menores que sejam. Vejamos alguns textos bíblicos:"Lembrou-se Deus (aqui o termo indica o interesse de Deus e Sua graça em favor de alguém) de Noé e de todos os animais selváticos e de todos os animais domésticos que com ele estavam na arca..." (Gênesis 8:1). Ao orientar Noé a sair da arca, além de abençoar a raça humana o Senhor abençoou também os animais (Gênesis 8:15-17).
"Se encontrares desgarrado o boi do teu inimigo ou o seu jumento, lho conduzirás. Se vires prostrado debaixo da sua cerca o jumento daquele que te aborrece, não o abandonarás, mas ajudá-lo-ás a erguê-lo" (Êxodo 23:4 e 5).
"Seis anos semearás a tua terra e recolherás os seus frutos; porém, no sétimo ano, a deixarás descansar e não a cultivarás, para que os pobres do teu povo achem o que comer, e do sobejo comam os animais do campo..." (Êxodo 23:11).
"Seis dias farás a tua obra, mas, ao sétimo dia, descansarás; para que descanse o teu boi e o teu jumento..." (Êxodo 23:12). Mesmo os animais devem ter o direito ao repouso sabático! (conferir Êxodo 20:8-11).
"Quando nascer o boi, ou cordeiro, ou cabra, sete dias estará com a mãe; do oitavo dia em diante, será aceito por oferta..." (Levíticos 22:27).
Aqui vemos que um animal recém-nascido não era aceito como oferta. Deus queria que ele ficasse com a mãe (ver também Êxodo 22:30). "Se de caminho encontrares algum ninho de ave, nalguma árvore ou no chão, com passarinhos, ou ovos, e a mãe sobre os passarinhos ou sobre os ovos, não tomarás a mãe com os filhotes..."  (Deuteronômio 22:6 - conferir também o verso 7, que mostra a preocupação de Deus com a preservação das espécies de animais)."Não atarás a boca ao boi quando debulha" (Deuteronômio 25:4). Deus não queria que o boi fosse maltratado.
"Os leõezinhos rugem pela presa e buscam de Deus o sustento" (Salmo 104:21).
"Tornou o Senhor: tens compaixão da planta que te não custou trabalho, a qual não fizeste crescer, que numa noite nasceu e numa noite pereceu; e não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive, em que há mais de cento e vinte mil pessoas, que não sabem discernir entre a mão direita e a mão esquerda, e também muitos animais?" (João 4:10 e 11).
"Não se vendem cinco pardais por dois asses? Entretanto, nenhum deles está em esquecimento diante de Deus" (Lucas 12:6).
"Observai os corvos, os quais não semeiam, nem ceifam, não têm despensa nem celeiros; todavia, Deus os sustenta..."(Lucas 12:24).
Além disso, a Bíblia diz que os filhos de Deus têm responsabilidades para com os animais: "o justo atenta para a vida dos seus animais, mas o coração dos perversos é cruel" (Provérbios 12:10). A escritora cristã Ellen G. White assim se expressou a respeito:
"É por causa do pecado do homem que "toda a criação geme e está juntamente com dores de parto" (Romanos 8:22). O sofrimento e a morte foram assim impostos não somente ao gênero humano, mas aos animais. Certamente, pois, ao homem toca procurar aliviar o peso do sofrimento que sua transgressão acarretou sobre as criaturas de Deus, em vez de aumentá-lo. Aquele que maltrata os animais porque os tem em seu poder, é tão covarde quanto tirano. A disposição para causar dor, quer seja ao nosso semelhante quer aos seres irracionais, é satânica. Muitos não compreendem que sua crueldade haja de ser conhecida, porque os pobres animais mudos não a podem revelar. Mas, se os olhos desses homens pudessem abrir-se como os de Balaão, veriam um anjo de Deus, em pé, como testemunha, para atestar contra eles no tribunal celestial. Um relatório sobe ao Céu, e aproxima-se o dia em que se pronunciará juízo contra os que maltratam as criaturas de Deus" (Patriarcas e Profetas, p. 443).
A Palavra de Deus também afirma que um dia o Criador virá a este mundo para dar o castigo àqueles que destroem a natureza (plantas, animais, rios):
"na verdade, as nações se enfureceram; chegou, porém, a tua ira, e o tempo determinado para serem julgados os mortos, para se dar o galardão aos teus servos, os profetas, aos santos e aos que temem o teu nome, assim aos pequenos como aos grandes, e para destruíres os que destroem a terra(Apocalipse 11:18).
Todos estes versos (entre outros) são bem claros: Deus ama muito os animais e Se preocupa com o bem estar de cada um deles. Isto indica que Deus tem bons planos para estas criaturinhas também. Não há como ter dúvidas. Não podemos afirmar com base na Bíblia que teremos o mesmo animalzinho de estimação na Nova Terra e muito menos que o não teremos. Todavia, estes versos bíblicos devem nos confortar com a certeza de que Deus fará aquilo que for melhor para a nossa felicidade. Com toda a certeza, nosso Criador tem poder para recriar o mesmo animalzinho de estimação que um dia perdemos.
No mundo restaurado teremos muitas surpresas; por que nos admirarmos de que o Senhor possa querer alegrar Seus filhos com os animais domésticos que tanto lhes fizeram bem? Gosto muito de ver a Deus como um pai que se alegra em dar ao seu filho um presente que ele menos espera. Confie no amor de Deus e descanse em Suas promessas. O que Ele fez na cruz do calvário (João 3:16, Romanos 5:6-8) é suficiente para nos provar que o Seu amor por todas as Suas criaturas é infinito.

POR QUE NÃO NOS SENTIMOS PERDOADOS

                                       POR QUE NÃO NOS SENTIMOS PERDOADOS



Existem fatores que contribuem para que não aceitemos (ou creiamos) o fato de termos sido perdoados por Deus:
Porque o pecado proporciona isto - O pecado traz consequências sérias e danosas e uma delas é a sensação de que Deus não perdoa.
Falta de conhecimento sobre o assunto - Quando não conhecemos bem o tema do perdão divino, quando não estudamos as Escrituras e lemos os versos bíblicos que falam que Deus é rico em perdoar, há uma dificuldade em crer que Ele perdoa. A falta de conhecimento do assunto, não entender sua profundidade é uma das causas. Temos que meditar a cada dia sobre este tema da salvação e do perdão de Deus.
Falta de fé - Como consequência da falta de conhecimento vem a perda de fé. Quando não estudamos a Bíblia, não temos aumentada nossa fé, pois esta “vem pelo ouvir da Palavra de Cristo” (Romanos 10:17). Não conseguimos crer que Deus nos perdoou, pois não exercitamos nossa confiança nele.
Falta de oração - Muitos não seguem a orientação divina de orarmos constantemente (Lucas 6:12; 18:1; 1 Tessalonicenses 5:17) e no mínimo três vezes por dia (Daniel 6:10; Salmo 55:17). Esta comunhão com Deus é um meio de desenvolver a fé (consequentemente confiança em Deus e em seu perdão). Se orarmos pouco, nossa confiança também o será.
“Muita oração, muita fé; pouca oração, pouca fé”. “Muita oração, muito poder; pouca oração, pouco poder”.
Porque antropomorfisamos[1] a Deus, comparando sua capacidade de perdoar com a nossa - Temos o costume de achamos que Deus tem a mesma opinião que a nossa no que diz respeito a certos assuntos, inclusive no que diz respeito ao perdão do pecador. Achamos que pelo fato de ser difícil para nós perdoar as pessoas, achamos que para Deus também o é.
Está antropomorfização (tornar Deus semelhante ao homem moralmente, intelectualmente) é prejudicial, pois nos trará uma visão distorcida de Deus. Temos de perder este costume de achar que Deus trata com o pecado e o pecador com o mesmo sentimento que nós; Deus é Deus e não homem. Se para nós é difícil perdoar (mesmo assim Deus quer que perdoemos –Mateus 6:12-15), não devemos achar que para Deus o é, pois sua natureza é infinitamente superior à nossa, Seu amor éinfinitamente maior que o nosso, Ele mesmo é o amor (1 João 4:8 e 16) e todo o amor que existe no universo provém Dele.
A superioridade da natureza de Deus (e sua capacidade de amar até o ser mais maligno de todos) faz com que Deus “seja rico em perdoar” (Isaías 55:7) e que possa nos desculpar no mesmo momento. Para Ele, que é o amor em pessoa é fácil faze-lo. Se entendermos isto, não iremos duvidar que estamos perdoados.
Porque nossa consciência é pecaminosa - Apesar de nossa consciência ser um instrumento do Espírito Santo para nos convencer do pecado, ela está corrompida pelo mal e não é totalmente confiável: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto, quem o conhecerá?” (Jeremias 17:9). O nosso coração (neste verso tem o sentido de nosso “interior”) é enganoso e por isso não podemos confiar muito no que ele está nos insinuando.
Quando somos perdoados por Deus, somos justificados na hora (Salmo 32:5; 103:12; Isaías 43:25; 1 João 1:7 e 9). Deus simbolicamente “lança nossos pecados nas profundezas do mar” (Miquéias 7:19), então, quando nosso coração (interior, consciência) nos faz sentir que não estamos perdoados, não devemos aceitar, pois é uma errada mensagem. Repito: isto acontece porque nossa consciência está corrompida pelo pecado.
Mesmo que nossa consciência nos acuse, Deus é maior que ela e seu perdão também. Demos ouvidos à Palavra de Deus quando diz que “Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões” (Salmo 103:12) e não ao sentimento que nos atormenta. Creiamos na Palavra de Deus e oremos a Deus para que possamos cada vez mais sentir o seu perdão. Vá a Jesus do jeito que você está; para Deus, você tem muito valor. Sua salvação custou muito caro para Deus; pense nisto.

Fui longe demais, Não tenho perdão !

                                      Fui longe demais, Não tenho perdão !



Quando alguém tem o desejo de estar perto de Cristo e de se salvar, isto já é uma prova de que o Espírito Santo trabalha no seu coração e isto é motivo de alegria. Antes de qualquer coisa, o nosso pecado não é maior que o amor de Deus por nós. Afinal de contas, em Romanos 8:31-39, Paulo deixa claro de que nada pode nos separar do amor de Deus. Uma prova disso é o que aconteceu na vida do rei Manassés. Você pode ler sua história incrível em 2 Reis 21 e 2 Crônicas 33.
Este indivíduo foi um dos piores reis em Jerusalém. Trouxe a idolatria para Israel. Profanou o templo. Sacrificou filhos no fogo durante cultos aos deuses pagãos. Matou inocentes. Isto é o que estes capítulos mencionam. Em 2 Reis 21:10 e 2 Crônicas 33:10 encontramos que Deus falou, mas Manassés não deu atenção. A intenção divina era lhe mostrar o erro para que se corrigisse, mas Manassés permaneceu indiferente. Foi então que Deus permitiu que um rei inimigo invadisse Jerusalém, o qual prendeu a Manassés e o levou para o cativeiro em Babilônia (2 Crônicas 33:11). Finalmente, humilhado e preso, Manassés se arrependeu (2 Crônicas 33:12-20).
Esta história nos ensina que Deus não se cansa de amar o ser humano, por mais longe que vá. Não importa o passado, Deus está sempre pronto para perdoar um pecador sincero que arrependido suplica por perdão. Acontece que, às vezes, nós não nos perdoamos. Você precisa se livrar do peso do sentimento de culpa em sua vida e permitir que o perdão de Cristo lhe ofereça um novo começo. Mateus 11:28 apresenta o convite de Cristo às pessoas que estão carregando um fardo muito grande. É preciso lançar tudo sobre Ele, seus pecados, seu passado e Ele vai lhe perdoar e junto com o perdão, uma página em branco para você escrever uma nova história.

TERIA JEFTÉ SACRIFICADO A FILHA?

                                            TERIA JEFTÉ SACRIFICADO A FILHA?                                                                                                                                                                                                                                        por: Thiago Gonçalves

Ouvi um pregador dizer que Jefté sacrificou a filha. Aceitaria Deus um sacrifício humano? Não eram os pagãos quem sacrificavam os filhos aos seus deuses?
O relato do precipitado voto de Jefté é de difícil explicação, devido à falta de detalhes sobre o que realmente teria acontecido à filha dele. Há os que advogam que Jefté sacrificou a filha, algo abominável para Deus. Outros supõem que esse juiz israelita teria dedicado a filha para uma vida de perpétuo celibato, o que o livraria da acusação de havê-la oferecido em sacrifício. Porém, a única coisa certa nessa história é que ele cumpriu o voto feito (Juízes 11:39). Vejamos os principais argumentos para as duas hipóteses:
A. Os que defendem que a filha de Jefté foi oferecida em sacrifício alegam:
1. Que o voto de Jefté foi de sacrificar quem aparecesse à sua frente, ao voltar do combate contra os amonitas (Juízes 11:30 e 31), e isso poderia incluir pessoas. Argumentam que Jefté teria sido influenciado pelo paganismo, pois, ao ser expulso de casa pelos irmãos, morou em Tobe (Juízes 11:3), uma região da Síria. E uma das práticas pagãs era oferecer pessoas em sacrifício.
2. Que o passado violento de Jefté, que ganhava a vida atacando pessoas (Juízes 11:3), mostra que ele bem poderia ter oferecido a filha em sacrifício.
3. Que não há razão para se acreditar que a proibição divina contra sacrifícios humanos (Levítico 18:21; 20:1-5) fosse cem por cento obedecida. Um caso de desobediência a essa proibição é o do rei Manasses, que ofereceu os filhos em holocausto(2 Crônicas 33:6).
4. Que o exemplo de Abraão, que só não consumou o sacrifício de seu filho Isaque por direta intervenção divina (Gênesis 22:9-12), serve de precedente para o oferecimento de pessoas em holocausto, em situações especiais.
B. Os que defendem que a filha de Jefté não foi oferecida em holocausto, mas em sacrifício vivo ao Senhor, vivendo como celibatária, alegam:
1. Que Deus jamais aceitaria um sacrifício humano, visto que tais sacrifícios foram expressamente proibidos por Ele (Levítico 18:21; 20:1-5; 2 Crônicas 33:6).
2. Que o voto de Jefté foi feito sob inspiração do Espírito Santo (Juízes 11:29, 30), e o Espírito não o inspiraria a fazer um voto que tivesse a ver com sacrifícios humanos.
3. Que a filha de Jefté pediu para chorar, não a sua morte, mas a sua "virgindade (11:37, 38), pois viveria como solteira o resto da vida (note a expressão: Assim, ela jamais foi possuída por varão", em 11:39).
4. Que o quase sacrifício de Isaque, por seu pai Abraão, não serve de precedente, visto que Deus o impediu de consumar o ato (Gênesis 22:11,12), mostrando, com isso, Sua desaprovação aos sacrifícios humanos.
Como se vê, não há evidências conclusivas nem de um lado, nem do outro. Até por volta do ano 1200 d.C, todos os intérpretes judeus e cristãos acreditavam que a filha de Jefté teria sido oferecida em holocausto. A partir dessa data, o rabino Kimchi e outros começaram a ensinar que Jefté não teria sacrificado a filha, visto que no voto dele estava implícito o sacrifício de um animal limpo e não de um ser humano. Para esse rabino, a filha de Jefté teria vivido em estado de perpétuo celibato(Comentário Bíblico Adventista dei Séptimo Diavol. 2, p. 377). Tendo em vista todos esses argumentos e considerações, o que realmente aconteceu à filha de Jefté permanece em aberto. Talvez, somente no Céu possamos descobrir o que realmente aconteceu a essa desventurada moça israelita.
Embora não tenhamos condições de saber o que exatamente ocorreu com a filha de Jefté, devemos atentar para as seguintes lições desse triste relato:
1. Jamais se deve fazer votos sob pressão física ou psicológica, como foi o caso de Jefté, visto que ele estava numa situação de guerra contra os inimigos amonitas. Geralmente, tais votos não são sensatos. O conselho divino quanto aos votos é: "Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus..." (Eclesiastes 5:2).
2. Voto insensato, ou "o dito irrefletido dos lábios" (aquele proferido sem pensar, que pode prejudicar quem faz o voto ou qualquer outra pessoa) pode ser anulado (Números 30:5, 8,12,13). Tal era o caso do voto de Jefté. Há duas palavras para voto, em hebraico: hêrem (voto irremissível, que não podia ser anulado, cf. Levítico 28:28,29) e néder (voto que podia ser anulado, cf Números 30:2). O de Jefté era desse último tipo. É de lamentar que ele o tinha considerado como voto não anulável e prejudicou a si e a sua família (ele jamais teria descendentes, visto que aquela moça era filha única). Talvez o dano maior foi aquele causado à filha, independentemente de ela ter sido morta ou dedicada ao celibato para o resto da vida.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O Pecado contra o Espírito Santo

PECADO CONTRA O ESPÍRITO SANTO

O que significa pecar contra o Espírito Santo (Mateus 12:31 e 32)?

A questão do pecado contra o Espírito Santo é mencionada por Cristo no contexto da cura de um endemoninhado cego e mudo (Mateus 12:22-32; Marcos 3:20-30). Essa cura levou "toda a multidão" que seguia a Jesus a indagar se não seria Ele, "porventura, o Filho de Davi". Mas os fariseus, invejosos da popularidade de Jesus, contestaram: "Este não expele demônios senão pelo poder de Belzebu, maioral dos demônios" (Mateus 12:23 e 24). É evidente que os fariseus atribuíam a Satanás a obra que o Espírito de Deus realizava através de Cristo.
Para entender melhor o assunto, é preciso lembrar que uma das obras mais importantes do Espírito Santo é levar os seres humanos ao arrependimento dos seus pecados e à aceitação de Cristo como Salvador e Senhor. Mas essa obra acaba sendo neutralizada na vida daqueles que resistem persistentemente aos apelos do Espírito Santo. Assim, entristecem o Espírito Santo(Efésios 4:30) e apagam a Sua influência sobre a consciência individual (1 Tessalonicenses 5:19). Com o coração endurecido pelo orgulho (Hebreus 3:7-15), perdem a sensibilidade espiritual e as percepções morais, e acabam formando uma escala de valores distorcida, na qual a obra do Espírito Santo é muitas vezes atribuída a Satanás e a de Satanás, ao Espírito Santo.
Nas Escrituras encontramos vários casos de pessoas que pecaram contra o Espírito Santo. Por exemplo, Faraó, diante do qual Moisés e Arão realizaram grandes sinais e maravilhas, endureceu o seu coração a ponto de o Espírito de Deus não mais ter acesso a ele (Êxodo 5 a 12). Judas Iscariotes não permitiu, a despeito das advertências de Cristo (Mateus 26:21-25), que o Espírito Santo o dissuadisse de trair o Mestre. Já Ananias e Safira mentiram ao Espírito Santo e foram punidos por isso (Atos 5:1-11). Sem dúvida, essas pessoas se perderam porque não permitiram que o Espírito Santo as levasse ao arrependimento.
Por outro lado, a Bíblia menciona também alguns indivíduos que se afastaram de Deus e acabaram se arrependendo posteriormente. Sansão, a respeito do qual é dito que "ele não sabia ainda que já o Senhor Se tinha retirado dele" (Juízes 16:20), clamou depois e a sua oração foi atendida (Juízes 16:28-30). Seu nome aparece entre os heróis da fé (Hebreus 11:32). Manassés foi talvez o pior rei hebreu, mas, após ser levado em cativeiro pelo exército assírio, ele se humilhou perante Deus e empreendeu uma significativa reforma religiosa em Judá (2 Reis 21:1-18; 2 Crônicas 33:1-20). Esses exemplos revelam que mesmo casos aparentemente sem esperança podem ser revertidos, se a pessoa se humilhar perante Deus e clamar por socorro.
O problema dos fariseus, mencionados acima, é que o orgulho e a auto-suficiência os haviam endurecido a ponto de não mais perceberem os milagres de Cristo como sinais operados "pelo Espírito de Deus" para evidenciar a chegada do "reino de Deus"(Mateus 12:28). Como o arrependimento é a condição para o perdão dos pecados (Atos 2:38), eles jamais seriam perdoados enquanto continuassem atribuindo a Satanás a própria obra do Espírito Santo efetuada para levá-los ao arrependimento.
Diante disso, podemos concluir que o pecado contra o Espírito Santo é jamais reconhecer os próprios erros. Enquanto a pessoa reconhece que está errada e que deve mudar, ela pode ter certeza de que não foi longe demais. Aqueles que indagam se por acaso não cometeram o pecado imperdoável demonstram por essa atitude que sua consciência não perdeu completamente a sensibilidade. Quando a pessoa não mais reconhece seus próprios erros, ela se encontra no caminho perigoso. Mesmo assim, não podemos perder a esperança. Experiências como as de Sansão e Manassés revelam que mesmo pessoas totalmente degeneradas podem voltar a Deus, se derem ao Espírito Santo a oportunidade de realizar a Sua obra regeneradora.